Monday, October 03, 2011

Canto III, Inferno.


“É a inteligência que vê, é a inteligência que escuta - todo o resto é surdo e cego.” - Epicarmo.
Um belo canto, aqui começa realmente a entrada dos poetas no inferno e vemos o assombro de Dante perante a famosa inscrição “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. Virgílio adverte Dante para não ter medo e lhe explica que ali é o lugar dos que perderam o bem do intelecto que, segundo Aristóteles é o guia para a escolha da Virtude. Depois de utilizar os argumentos “além da razão” no canto anterior, agora Virgílio demonstra para Dante a importância de ter coerência em suas atitudes - viver de forma ordenada.
Ao entrar no inferno Dante nós da um vislumbre do sofrimento:
“Gritos, suspiros, prantos lá encontrei
que ecoavam no espaço sem estrelas,
pelo que no começo até chorei”.
Aqui estão os que viveram sem infâmia e sem louvor, ou seja, os ignavos, pessoas que não optaram pelo Mal mas também não fizeram o Bem (a Deus despraz e ao inimigo seu):
“Eles não tem esperança da morte,
e essa cega sua vida é-lhes tão crassa 
que inveja têm de qualquer outra sorte”.
A pena para eles, além de não ter qualquer esperança de misericórdia Divina, é:
“Esses, de quem foi sempre a vida ausente,
estavam nus, às picadas expostos
de uma nuvem de vespas renitente,
que lhes fazia riscar de sangue os rostos,
que, às lágrimas mesclado, a seus pés
colhiam molesto vermes ali postos”.
Depois chegam ao Aqueronte para a travessia e Caronte tenta negar passagem ao vivente, no entanto Virgílio intercede novamente explicando a Caronte que tudo faz parte do desígnio Divino. Na beira do rio encontra-se uma multidão de almas chegando ao Inferno, blasfemando seus pais, Deus, a humanidade, a hora da geração sua e de seu nascimento mas não adianta, são todos ignorados pela lei de Deus.
Na margem do rio Dante desmaia e o canto termina.

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