Canto IV, Inferno.
Dante acorda sem reconhecer o lugar onde se encontra, já não é mais a margem do Aqueronte, mas sim o Limbo. Dante acredita que Virgílio encontra-se com receio de algo ou medo, no entanto seu guia explica que é apenas piedade das pessoas desamparadas no Limbo - onde não existe prantos, apenas suspiros.
Antes mesmo de Dante perguntar qualquer coisa seu mestre já explica:
“não pecaram, mas não têm validez,
sem batismo, seus méritos, e isto
faz parte dessa fé na qual tu crês;
e os que tenham vivido antes de Cristo
não adoraram Deus devidamente,
e eu dessa condição também consisto.
Somos por essa causa, essa somente,
perdidos, mas nossa pena é só esta:
sem esperança ansiar eternamente”.
Aqui temos a configuração do Limbo, lugar onde as almas anteriores a Jesus e os não batizados permanecem. Não é um lugar “ruim”, mas encontra-se fora do Paraíso, impossibilitando as almas contemplarem Deus. Dante então pergunta se a Fé salvou alguém, e Virgílio conta que, ainda novo no Limbo, viu a “alma do nosso primeiro parente” buscar diversos personagens Bíblicos do Inferno para levar ao Céu.
Ainda caminhando chegam a uma majestosa morada onde encontram pessoas que se distinguiram em sua vida mortal. São recebidos por Homero, Horácio, Ovídio e Lucano que saúdam Virgílio e acolhem Dante como “sexto entre tanto saber”. Subindo em um posto mais alto, Dante enumera diversos personagens históricos que se encontram no Limbo: Aristóteles (mestre de todo homem de saber), Saladino, Heitor, Platão, Demócrito e dezenas de outros, mostrando-nos apenas um vislumbre da cultura que Dante possuía.
Termina o canto indo apenas Dante e Virgílio, chegando onde nada mais reluz.

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