Wednesday, October 26, 2011

Canto VII, Inferno.


O guarda do quarto círculo ameaça também a dupla dinâmica e Virgílio volta a lembrar a Dante que ele deve ater-se a razão e que nada podem fazer contra a decida dos dois. Depois volta ao demônio, calando-o e o derrubando para a passagem.
Esse é o lugar do inferno onde encontramos os avaros e pródigos, dentro de um círculo, onde cada grupo empurra contra o outro grandes pesos com os peitos nus até chocar com o outro, reiniciando o ciclo eternamente e sempre gritando “Por que poupas?” ou “Por que dilapidas?”.
Dante então diz que deveria reconhecer pessoas com essas culpas, ao que Virgílio explica:
“É baldado o teu intento:
viver desconhecendo imundos fê-los,
e agora os veda ao reconhecimento.
Eternos seguirão seus atropelos:
estes ressurgirão da sepultura
cerrando o punho, e aqueles sem cabelos.
Vê, filho, como rápida definha 
o bem que co’ a Fortuna se pactua,
e pra que a humana gente se engalfinha;
pois todo o ouro que há sob a lua,
e o que houve já, co’ essas almas cansadas
não obteria uma parada sua”.
Estão todos desfigurados e irreconhecíveis por passarem pelo mundo apenas para brigar por dinheiro. Após, Virgílio explica o que seria a “Fortuna” a pedido de Dante, dizendo que Deus fez a Fortuna para passar as riquezas profanas de pessoas para pessoas e de nações para nações, sem uma regra clara. Mesmo os que deveriam louvá-la a odeiam dependendo da conjuntura, tudo em vão, pois ela não liga pra ninguém.
Com o cair do dia, eles seguem o seu trajeto, chegando ao rio Estige, uma fonte de banha fervendo com sua a aparência de água suja. Prestando mais atenção, Dante percebe pessoas se remexendo na água, nuas, em “irada mágoa” esmurrando-se uns aos outros com as mãos, cabeças e corpos e os dentes. Cena não é muito bonita, e em baixo da água, segundo Virgílio,ainda estão os vencidos pelo rancor, a ira contida, que apenas soltas as bolhas que os viajantes observam.
Interessante notar que a partir deste canto Virgílio aumenta sua ligação com Dante, chamando-o de “filho” duas vezes e ensinando as coisas mesmo sem ser perguntando - típico de pai. Também novamente o guia cobra o chamamento a razão de seu protegido.

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