Thursday, November 10, 2011

Canto IX, Inferno.


Canto IX, Inferno.
“Awake my soul
For you were made to meet your maker” - Mumford and sons.
Dante fica branco ao ver Virgílio voltar dos demônios sem autorização para passar, se preocupa mais ainda com algo que seu mestre murmura, então pergunta se alguém do limbo já desceu tão fundo no Inferno, na tentativa de se acalmar. Então Virgílio lhe explica que uma vez, Eritone fez reviver um corpo, e Virgílio esteve no círculo de Judas para buscar o espírito no lugar mais escuro e distante do céu.
Enquanto Virgílio ainda fala, Dante começa a reparar no alto da torre, onde juntas chegam três Fúrias infernais, “de sangue ungidas, que tinham de femíneo o peito e o festo, e, por Hidras verdíssimas cingidas, traziam, por cabeleira”. Ao ouvir o grito das Fúrias Dante se assusta, e corre para perto de Virgílio, que ordena que ele feche o olho e ainda o protege suas vistas com as próprias mãos, pois caso ele seja transformado em pedra, seu retorno estará cancelado.
Neste momento “offline”, Dante explica ao leitor:
“Ó intelectos sadios e judiciosos,
entendei a doutrina disfarçada
sob o velame dos versos curiosos!”
Aqui Dante chama atenção para o fato de que seu poema deve ser interpretado de forma “simbólica” ou “alegórica” não sei. Lógico que ele não esteve realmente no outro mundo, mas até mesmo Platão reconhecia a importância do mito ou da alegoria para o crescimento intelectual, o mito é “expressão de fé e de crença (...) ao chegar a razão aos limites extremos de suas possibilidades, Platão confia à força do mito a tarefa de superar intuitivamente esse limite, elevando o espírito a uma visão ou, pelo menos, a uma tensão transcendente”.
No Fédon: “Certamente, não convém a um homem dotado de bom senso sustentar que as coisas se passem exatamente como eu as descrevi; sustentar, entretanto, que algo de semelhante deva acontecer no que diz respeito às almas e às suas moradas, a partir do fato de que se conclui que a alma é imortal, me parece perfeitamente legítimo, sendo interessante correr o risco de acreditar, porquanto o risco é belo! É importante que, com tais crenças, nos encantemos a nós mesmo; é por isso que eu, desde há algum tempo, continuo sustentando o meu mito.”
Não sou nada perto desses cabeça de bagre, mas essa segunda navegação do Platão ajudou muito na minha conversão e aumentou mais ainda a admiração pelo poema.
Voltando ao poema, quando as Fúrias investem sobre Dante ocorre um estrondo “pomposo” ao que Virgílio desvenda o olhar de Dante e pede para que ele observe. a chegada de quem “varava o Estige co’ as solas enxutas”, que espanta as Fúrias e mais de mil almas corruptas.
“Bem vi que um núncio era da Providência,
e o Mestre fez, com gesto indicativo,
que eu me inclinasse em muda reverência.
Ah, como aparecia seu porte altivo!
chegou à porta, e a abriu co’ uma varinha,
sem encontrar um ato defensivo.
‘Ó enxotados do Céu, gente mesquinha’,
disse, na ombreira da hórrida cidade,
‘donde a arrogância vem, que em vós se aninha?
Por que investis contra aquela Vontade
cujos fins nunca podem ser truncados,
pra só acrescer vossa penalidade?”
Depois do pito eles podem entrar tranqüilamente na Dite, seguros pela fala do Enviado. Ao entrar Dante repara em algumas tumbas de ferro envoltas em chamas e, de dentro das tumbas, saiam gritos de dor e indaga seu mestre, que responde ser a tumba dos heresiarcas e seu sequazes e, dentro de cada tumba, estão os réus da mesma seita, impossível da mente de Dante imaginar como é lá dentro, constantemente castigado pelo fogo.

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